Relato de caso: Tratamento de prolapso vaginal em bovinos

22 nov 2017

Relato de caso: Tratamento de prolapso vaginal em bovinos

O prolapso é caracterizado como a saída da mucosa vaginal pela rima vulvar, o que pode ocorrer em todas as espécies animais, principalmente nas gestantes, sendo, muito frequente em vacas leiteiras (Fig. 1). A afecção ainda se distingue em inversão da vagina (quando a parede vaginal inverte-se através do espaço vaginal, só sendo observada no animal deitado) ou prolapso da vagina (quando a parede da vagina projeta-se para o exterior, podendo ser ainda parcial ou total) (PRESTES & ALVARENGA, 2006).

Nos ruminantes, o prolapso vaginal usualmente ocorre no final da gestação e, ocasionalmente, após o parto, quando pode estar associado ao prolapso uterino. O prolapso vaginal começa pela formação de uma dobra no assoalho da vagina, imediatamente cranial à união vestíbulo-vaginal. O incômodo causado por esta eversão, juntamente com a irritação e a inflamação da mucosa exposta, provocam uma distensão e agravamento do prolapso. Por fim, toda a vagina pode estar prolapsada e o colo do útero ser visível na zona mais caudal do prolapso. A bexiga ou as alças intestinais podem estar contidas na vagina prolapsada (KUIJLAARS, 2011).

Etiologia

As causas do prolapso vaginal nos bovinos são múltiplas:

  • predisposição hereditária (principalmente raças leiteiras);
  • flacidez do diafragma pélvico (efeito estrogênico);
  • gestação (normalmente nos últimos dois meses);
  • idade avançada, decúbito (aumento da pressão intra-abdominal);
  • hipocalcemia;
  • distensão exagerada do útero (hidropsia, gestações gemelares), tenesmo (inversão), confinamento (falta de exercícios),
  •  tração forçada;
  •  excesso de gordura perivaginal;
  • cistos ovarianos.

A ocorrência desta afecção em animais criados extensivamente, excluindo uma predisposição genética, é de difícil explicação. Já os animais estabulados, em consequência do regime alimentar e do sedentarismo, acumulam gordura em excesso, provocando aumento da pressão intrapélvica, principalmente, quando estão em decúbito e em ambientes de reduzidas dimensões. A dor provocada pela reação inflamatória aumenta os esforços expulsivos, determinando a exteriorização de segmentos ainda maiores da parede vaginal (PRESTES et al., 2008).

Sinais clínicos

Os sinais clínicos mais comumente observados são a exposição parcial ou total da vagina pela rima vulvar (formação avermelhada e cilíndrica nos lábios vulvares); tenesmo, inquietação, lesões da porção evertida de leve a grave, dissolução parcial ou total do tampão mucoso, retenção urinária quando há o deslocamento da bexiga com dobramento da uretra, prolapso retal secundário ao tenesmo, congestão venosa passiva com consequente desvitalização da estrutura prolapsada, vulvite, vaginite, cervicite e nas fêmeas gestantes é possível observar abortamento ou morte fetal por contaminação com enfisema fetal (TONIOLLO & VICENTE, 2003; DIAS, 2007).

Tratamento

Os objetivos do tratamento são recolocar os tecidos prolapsados na sua posição natural, evitar que ocorram recidivas e permitir que o animal tenha uma vida reprodutiva normal. A limpeza e desinfecção da região perineal e das partes prolapsadas, utilizando-se soluções antissépticas suaves é indicada (PRESTES & ALVARENGA, 2006). Deve-se examinar com cuidado a mucosa prolapsada em busca de lesões, tratando-as com pomada analgésica, anti-inflamatória e antimicrobiana (GRUNERT & BERCHTOLD, 1988). O reposicionamento dos órgãos em seu lugar natural é simples, e pode ser facilitado pela anestesia peridural intercoccígea com 4 a 8 mL de lidocaína a 2% (GARNERO & PERUSIA, 2006).

Protocolo de tratamento indicado com produtos Ourofino

  • Limpeza local (antissepsia)
  • Redução manual
  • Antibioticoterapia: Lactofur (injetável/IM profunda). Dose de 3,3 mg/Kg peso vivo animal, o que corresponde a (1mL/ 30 Kg de peso vivo) em dose única
  • Anti-inflamatório: Maxicam 2% com dose de 2,5 ml para cada40 Kg de peso vivo, com aplicação diária por três dias
  • Cálcio Reforçado: 100 ml com aplicação intravenosa

 

Abaixo fotos da assepsia e da redução do prolapso vaginal em uma fêmea bovina.

   

Referências bibliográficas

DIAS, B. M. L. Clínica das espécies pecuárias e cirurgias corretivas. Universidade de Trás-os-Montes e Alta Douro Vila Real, 2007. p.37-40.

GARNERO, O.; PERUSIA, O. Manual de anestesia e cirurgia e bovinos. Tradução de Juliana Escribano y de Sales. São Paulo: Tecmed, 2006.

GARNERO, O.; PERUSIA, O. Manual de anestesia e cirurgia e bovinos. Tradução de Juliana Escribano y de Sales. São Paulo: Tecmed, 2006.

PRESTES, N. C.; MOYA, C. F.; PYAGENTINI, M.; LEAL, L. S. Prolapso total ou parcial de vagina em vacas não gestantes: uma nova modalidade de patologia? Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 32, n. 3, p. 182-190, jul./set. 2008.

PRESTES, N. C.; ALVARENGA, F. C. L. Obstetrícia veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 149-155.

TONIOLLO, G. H.; VICENTE, W. R. R. Manual de obstetrícia veterinária. São Paulo: Varela, 2003.

Rafael Rodrigues Correa, especialista Técnico em Saúde Animal

None

Tags