Saúde intestinal das aves

14 set 2015

Saúde intestinal das aves

A produção de carne de aves e de ovos aumentou considerável em todo o mundo desde 1970, sendo que a produção mundial de carne de frango em 2014 foi de 86.077 mil/toneladas, fazendo do Brasil, o terceiro maior produtor e o maior exportador, com uma contribuição de 37.34% neste. (ABPA,2015) O aumento da indústria avícola tem sido mais rápido do que outras indústrias de animais, para a produção de alimentos (Windhorst, 2006).

A manutenção da sanidade das aves, em especial às doenças ou agentes que atuam sobre o trato gastrintestinal (TGI), é de grande importância para a produção de frangos, pois o TGI se trata da via de absorção de nutrientes, contribuindo para o desenvolvimento. Considerando que a ração representa de 70 a 80% dos custos de produção, a integridade dos mecanismos digestivos e absortivos dos nutrientes no trato digestivo é de vital relevância para o bom desempenho das aves (Boleli et. al.,2002).

O TGI é um sistema complexo e com várias funções e se integra com outros sistemas e funções do organismo (Reynolds,2003). O intestino é o principal local de absorção de alimentos, sendo composto pelo intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo) e intestino grosso (ceco, cólon/reto e cloaca). A mucosa do intestino delgado possui uma grande área superficial, dividida em: Pregas circulares, que são dobras da mucosa; vilosidades, que são projeções epiteliais e por bordas em escova, que recobrem as vilosidades e possuem microvilosidades, nas quais aumentam ainda mais a área superficial de absorção.

A maioria dos processos de digestão e absorção ocorrem na superfície da mucosa (enterócitos), sob influência de enzimas digestivas, dissacararidases, oligopeptidases, que estão presentes na superfície luminal dos microvilos (Furlan,2000).

A ave possui mecanismos fisiológicos que controlam a proliferação bacteriana, como, o peristaltismo, secreções digestivas, produção de muco, e tecido linfoide associado ao intestino (GALT).

A microflora presente no trato gastrointestinal é composta por bactérias, fungos e protozoários, sendo as bactérias os microrganismos predominantes, havendo uma diversidade significativa em sua população nas diferentes porções do sistema gastrointestinal (TGI), sendo que a quantidade e a diversidade tende a aumentar nas porções mais distais do TGI.

O equilíbrio da flora intestinal denomina-se eubiose. Os componentes da microbiota podem ser classificados como comensais ou patogênicos, podendo apresentar efeitos positivos em condições de estabilidade intestinal, porém, o mesmo agente pode contribuir negativamente quando estas condições são modificadas por qualquer motivo.

O desequilíbrio da flora intestinal pode ocorrer através de mudanças qualitativas e quantitativas nas características desta microflora levando ao um quadro denominado disbiose (Oviedo-Rondón,2006).

A reconstituição da mucosa intestinal inicia-se rapidamente após uma lesão, em torno de 5 a 30 minutos, sendo dependente da secreção de uma espessa camada de muco sobre a área afetada. Segundo Boleli et. al.(2002), estima-se que o animal gasta cerca de 20% de energia bruta consumida para a manutenção do epitélio intestinal. O muco é secretado para que a superfície epitelial lubrifique a digesta ao longo do TGI, promovendo um efeito protetor, sendo uma das barreiras à invasão de bactérias e fungos.

A integridade desta barreira protetora pode ser danificada por vírus, bactérias, fungos, parasitas e/ou toxinas. Órgãos e tecidos linfoides como bolsa de Fabricius, timo, tonsilas cecais, placas de Peyer, baço, medula óssea, glândula de Harder constituem a principal estrutura do sistema imunitário das aves e tem grande impacto na saúde intestinal da ave (Yegani & Korven, 2008).

A alta viscosidade do conteúdo intestinal pode causar problemas digestivos e de saúde intestinal. Fatores antinutricionais presentes em vários ingredientes de rações, incluindo cereais do grupo dos polissacáridos não amiláceos (NSP), como cevada, trigo, centeio, aveia, aumentam a viscosidade da digesta, diminuindo a taxa de passagem, causando maior tempo de retenção da digesta. Com isso facilita a colonização bacteriana, prejudicando a digestibilidade intestinal, reduzindo a eficiência na conversão alimentar e a taxa de crescimento das aves. Perdas econômicas decorrentes de Micotoxicoses, tais como toxina T-2 podem ocorrer por devido a destruição celular (enterócitos) no ápice das vilosidades intestinais.

A coccidiose, causada por um protozoário do gênero Eimeria sp, é uma das patologias entéricas de maior impacto econômico, levando prejuízo na produção industrial de aves. A Coccidiose subclínica, por sua vez, pode ser um importante fator que contribui para o desenvolvimento de enterite necrótica em frangos de corte devido aos danos provocados na mucosa, facilitando a multiplicação de Clostridium perfringens. Além da coccidiose, a infestação pelo cascudinho (Alphitobios diaperinus) em aviáros pode ser um dos grandes fatores de transmissão de Clostridium perfringens, uma vez que Vittori et al. (2007) isolaram o Clostridium em cascudinhos analisados.

A má absorção é a presença de partículas não digeridas de ração nas fezes de aves e implica em diminuição da eficiência digestiva devido a perdas na conversão alimentar, no rendimento de carcaça e no custo de produção. (Hoerr,2001).

A Ourofino atua junto ao produtor brasileiro, entende suas necessidades e trabalha com sua equipe de técnico-comercial e especialistas técnicos para desenvolver ferramentas que auxiliem em uma melhor produtividade. O programa Pró Aves Ouro visa auxiliar na biosseguridade dos planteis avícolas, desenvolvendo ações na prevenção das patologias, controlando os prejuízos causados pelos desafios encontrados no dia-a-dia.

Para reduzirmos a pressão de infeção dentro de um galpão procedimentos como o de limpeza e desinfecção nas granjas, realizados de forma correta se fazem necessárias.. Isto pode ser obtido através da utilização de um desinfetante adequado como o Glutaquat, produto a base de Glutaraldeído e amônia quaternária, que pode ser utilizado na dosagem de (1:1000L ou 1:1500 L).

O controle do “cascudinho” também é vital para evitarmos a transmissão de doenças e mantermos a saúde e bem-estar da ave. Este controle pode ser realizado com o Colosso Pulverização através da aplicação nas instalações, imediatamente após a saída do lote das aves do galpão, na proporção de 1 litro do produto para cada 400 litros de água, utilizando aproximadamente 1000 litros de solução (água + COLOSSO) para cada 1200 m² de galpão (Figura 1).

O Enragold, por sua vez, é um aditivo melhorador de desempenho a base de enramicina, utilizado para a manutenção de uma microbiota intestinal saudável, e assim, proporcionando um bom resultado produtivo. Pode ser administrado via ração na dosagem de 3 a 10 ppm de acordo com a fase de produção da ave.


Figura 1. Soluções Ourofino para controle de desafios produtivos em avicultura. Da esquerda para direita, Glutaquat (desinfetante), Colosso Pulverização (controle de cascudinho) e Enragold (aditivo melhorador de desempenho).

REFERÊNCIAS

ABPA-Estatísticas do Mercado Mundial de Frango 2014. Disponível em: http://abpa-br.com.br/setores/avicultura/mercado-mundial. Acessado em: 24 ago. 2015.

Boleli, I. C.; MAYORKA, A. e MACARI, M. Desenvolvimento e Reparo da mucosa intestinal. In: Macari, M; Furlan, R. L.; Gonzáles, E. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: Funep, 2002.

Furlan, R.L. Aspectos anatômicos e funcionais do Sistema digestório. In: BERCHIERI JUNOIR,A.;MACARI.M. Doenças das Aves. Campinas: Facta,2000.

Hoerr, F.J. Intestinal integrity and the impact of losing it .College of Veterinary Medicine, Auburn University AL, USA. In: Word Poultry- Elsevier V.17 nº 7, 2001.

Oviedo-Rondón; HUME. E. MICHAEL. Equilibrium in the Gut Ecosystem for Productive Healthy Birds. North Carolina State University, Raleigh; USDA, ARS, SPARC, FFSRU. In: The Poultry Federation. Arkansas; Missouri; Oklahoma, 2013.

Reynolds, D.L. 2003. Multicausual Enteric Diseases. Diseases of Poultry, 20. In: Y.M. SALF ET. Al. Diseases of Poultry.

Vittori, J. et al. 2007. Alphitobius diaperinus como veiculador de Clostridium perfringens em granjas avícolas no interior paulista- Brasil. Ciência Rural, v.37, n.3, p894-896.

Yegani, M. & Korven, D.R. 2008. Factors Affecting Intestinal Health in Poultry. Poultry Science. (10):2052-63.

Windhorst. In: M. Yegani and D.R.Korven. Factors Affecting Intestinal Health in Poultry. Department of Agricultural, Food and Nutritional Science, University of Alberta. Poultry Science,2008.

 

Marcelo Silva Gerber

Consultor Técnico Aves & Suínos - Santa Catarina

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