Salmonella, um desafio!

23 mar 2015

Salmonella, um desafio!

Hoje a população Mundial gira em torno de 7,27 bilhões de habitantes o que favorece, fortemente, o crescimento e a demanda das cadeias de produção de proteína de origem animal. Neste cenário, o Brasil como o maior exportador de carne de frango Mundial, evidencia um nível tecnológico excepcional alcançado, demostrando um enorme potencial da indústria brasileira em fornecer alimento a mercados diversificados por assegurar uma excelente competitividade comercial. A sanidade é o fator de maior potencial excludente em diversos mercados no intuito de garantir alimentos inócuos e seguros. A preocupação em atender tais exigências não é maior do que a de garantir ao consumidor local, responsável por absorver mais de 65% dessa produção, os mesmos parâmetros. Porém, apesar da constante preocupação em garantir qualidade e competitividade, alguns agentes patogênicos acabam desafiando as produções avícolas em maior ou menor proporção, destacando-se entre eles, as Salmonelas, como um dos agentes mais onerosos às unidades produtoras de frangos, no esforço em controlá-la.

Segundo Back (2014), as Salmonelas são bactérias amplamente presentes na natureza apresentando mais de 2600 sorotipos. Dentre estes, alguns estão envolvidos com a incidência de doenças de origem alimentar em humanos, sendo que no Brasil, embora os sistemas de notificação apresentem falhas, a incidência registrada destas bactérias causando transtornos em humanos é muito inferior a países, como os EUA. Cerca de 200 sorotipos circulam em produções comerciais, onde mais uma vez o Brasil se diferencia, apresentando uma incidência de 7%, enquanto que países como Espanha, Argentina e EUA, apresentam 35,8%, 15,4% e 12,5 respectivamente.

As Salmonelas mais importantes em avicultura classificam-se basicamente em dois grupos:

Tíficas (específicas de aves, não zoonóticas), representadas por:

- Salmonella pullorum, responsável pela Polurose, doença septicêmica específica de galinhas e perus, de transmissão, normalmente, vertical (matriz portadora para ovo/pintinho) caracterizada por afetar aves jovens (até 2-3 semanas), podendo levar à alta mortalidade na fase de ovo. A sintomatologia é variável e pouco específica, podendo levar a 100% de mortalidade em surtos, ou redução severa de desempenho;

- Salmonella gallinarum, responsável pelo Tifo Aviário, sendo todos os galináceos susceptíveis, afetando, normalmente, aves adultas, podendo acometer todas as idades. Caracterizada por septicemia, toxemia, congestão de órgãos internos e anemia. A transmissão normalmente é horizontal (ave doente ou portadora assintomática para ave susceptível), podendo levar à redução significativa de produtividade, e culminar em mortalidade de até 80% do lote.

Apesar de não apresentarem potencial zoonótico, em função do impacto severo causado nos sistemas de produção, as duas constam no Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), o qual determina que, caso haja a animais positivos, é obrigatória a eliminação imediata das aves e de seus ovos. Tais medidas visam preservar não só a produtividade, bem como o status sanitário dos sistemas de produção. Nos últimos anos as Salmonelas Tíficas, tem “reemergido”, levando a uma grande preocupação ao setor.

Paratíficas (Salmonella spp, alto potencial zoonótico), representadas por um grande número de espécies, onde as mais frequentes são a Salmonella enteritidis e Salmonella thyphimurium. Ambas colocam em grande risco a saúde publica, pois podem estar presentes em lotes semqualquer sintomatologia, representando um risco iminente de contaminação do produto final (carne ou ovo). Além disso, por infectarem diversas espécies, caracterizam-se como reservatórios, e perigo constante de contaminação. Podem apresentar sintomatologia branda, quadros entéricos ou com perda de produtividade em diferentes fases. Sua transmissão pode ser vertical ou horizontal, no entanto, o maior risco está em sua perpetuação nos diferentes sistemas, expondo etapas criticas de manipulação do produto final, comprometendo qualidade e inocuidade. A intervenção é possível, e de acordo com o sistema de produção e status em relação às salmonelas pode-se tratar com antibioticoterapia específica para enterobactérias, como exemplo: fornecimento a lotes de matrizes que estejam infectadas, aplicação em ovos incubados ou pintinhos de um dia oriundos de matrizes positivas. O fornecimento no alojamento de pintinhos provenientes de matrizes positivas ou fornecimento para frangos positivos no pré-abate visa a redução do risco de contaminação da indústria.

Esta realidade expõe a necessidade do envolvimento de toda a cadeia no intuito de assegurar ao produto final um padrão de segurança necessário. Neste contexto a Ourofino Saúde Animal se insere como uma parceira na execução de serviços, ancorados em um programa para a avicultura, o PROAVES (Programa de Redução de Pragas e Patógenos), visando disponibilizar o know-how técnico e de consultores, e ações à campo. Os desinfetantes (Glutaquat e CB 30 TA) à base de ativos seguros e efetivos para o controle de salmonelas. O Fosfomicin C (fosfomicina à 25% base ativa), excelente antimicrobiano para o controle das salmoneloses, solúvel em água, com carência de 24 horas. Ainda dentro do escopo do PROAVES, está o programa de Monitoria e Controle de Cascudinho em aviários com o uso de Colosso Pulverização, que propicia redução de 98,34% na infestação dos galpões (Gráfico 1). Este inseto é um dos principais vetores e perpetuadores de patógenos dentro de produções avícolas.


Fonte: Ourofino 2008
Gráfico1. Redução de infestação de cascudinho após a realização do PROAVES.

Este serviço diferenciado e dinâmico visa adequar-se à necessidade específica de cada empresa e de cada sistema de produção. Este trabalho busca demonstrar a preocupação que a Ourofino tem em estar presente na produção, não só como fornecedora de soluções sanitárias, mas, principalmente, para compartilhar informações e tecnologia, na busca de parcerias, no Brasil, que hoje é a referencia Mundial em avicultura.

 

Referências literárias:

Soncini,Ricardo A.; Controle da Salmonella enteritidis na Avicultura; 2004
http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/anais0204_bsa_soncini.pdf

Brasil, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, MAPA. Portaria Ministerial nº 193 de 19 de setembro de 1994, Programa nacional de Sanidade Avícola, PNSA.
http://www.agricultura.gov.br/animal/sanidade-animal/programas/prog-nacional-sanidade-avicola-PNSA

Relatório Anual União Brasileira de Avicultura, UBA, 2014.
http://www.ubabef.com.br/files/publicacoes/8ca705e70f0cb110ae3aed67d29c8842.pdf

Back,A. Salmonela em Aves é Simples de Entender e Difícil de Eliminar. O Presente Rural; Ed. Set/2014.
ttp://www.opresenterural.com.br/arquivos/noticiadetalhes.php?id=3518&id_categoria=3&id_subcategoria=2

 

Rogério de Faria Nunes

Médico Veterinário e Supervisor Técnico Aves & Suínos – Regional Sul

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