Período seco: seus reflexos e suas consequências

05 jan 2015

Período seco: seus reflexos e suas consequências

Por muito tempo se tratou o período seco como sendo a última fase da lactação, no entanto, essa ideia tem sido revista e o período seco é visto hoje como o ponto de partida da lactação, isso se deve principalmente ao fato de que uma grande parte do sucesso da próxima lactação estar intimamente relacionado a decisões e manejos estabelecidos durante este período de “descanso” do animal.

O primeiro ponto a ser observado, é a necessidade de recuperação dos tecidos responsáveis pele produção efetiva do leite, dentre os quais os alvéolos e sua respectiva mucosa. Existe uma necessidade de tempo para sua revitalização. Este fato é facilmente perceptível, na medida em que podemos observar um aumento gradual do número de células somáticas presentes nas amostras enviadas para análise laboratorial dos animais em fase final de lactação, isso ocorre devido a maior descamação do tecido. Os resultados ainda se mostram mais evidentes, pelo fato da redução sistemática do volume de leite produzido pela glândula nesta fase também.

Outro ponto a ser ressaltado, é a presença do feto na cavidade abdominal, restringindo assim a capacidade de ingestão alimentar do animal, tendo como consequência a diminuição da capacidade de produção da vaca. Além disso, o desenvolvimento do feto se dá de maneira exponencial nos últimos meses devendo isso ser levado em consideração visando preparar o animal para o momento do parto, o qual necessita de uma quantidade significativa de reservas, as quais devem estar disponíveis, pois são de suma importância, para facilitar os eventos necessários para um parto sem maiores intercorrências.

Durante todo o período, a glândula mamária que estava produzindo leite, deve interromper sua produção por um curto espaço de tempo e reinicia-la em seguida. Devido a isso, devemos dar atenção especial a essa estrutura, pois mesmo sua produção estando ausente, pode ocorrer a presença de bactérias se proliferando ou colonizando-a. A simples presença destes agentes é motivo de preocupação, para combate-los lançamos mão de antibióticos específicos para este período, que possuem uma concentração de princípio ativo maior e tendo um período de permanência no interior da glândula mais duradouro e por consequência atuando de forma mais efetiva nas bactérias problema. Devemos também levar em consideração que as concentrações e períodos mais prolongados, levam a uma necessidade de cuidado especial principalmente com o período de carência e resíduos decorrentes desse uso.

Além de todo o exposto, um ponto crucial durante o período seco é a prevenção da entrada de agentes causadores da mastite, durante este período. Estudos recentes demonstram que a maioria das mastites observadas no primeiro mês pós-parto, se deve a infecções durante o período seco. Estas mastites são preocupantes, pois as bactérias tiveram um tempo significativo para colonizar e se multiplicar no interior da glândula. Visando prevenir a ocorrência e diminuir a incidência de mastite, o Sellat®, da Ourofino, vem como ferramenta para auxiliar o produtor. O produto apresenta na sua composição metais, que visam unicamente impedir a entrada de bactérias na glândula. Um ponto a ser ressaltado, é que a composição não é absorvida, sendo sua atuação imediata após aplicação do produto. A singularidade do produto se dá na aplicação, que deve ser feita como último manejo do teto durante o procedimento de secagem e o mesmo deve permanecer no teto e não deve ser massageado para a cisterna da glândula.

Sendo assim, a terapia de vacas seca deve contemplar a utilização do Sellat®, como forma de prevenir futuros problemas relacionados com o período seco e iniciando a produção de leite de maneira mais saudável e podendo expressar todo seu potencial produtivo.

Marcelo Feckinghaus

Departamento Técnico Saúde Animal

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