O desenvolvimento de biotecnologias da reprodução

26 jan 2015

O desenvolvimento de biotecnologias da reprodução

O agronegócio tem papel importante na economia brasileira. Em 2013 foi responsável por quase 22,8% do produto interno bruto (PIB) sendo que, o motor do desempenho do PIB do agronegócio foi a pecuária, a qual no todo apresentou aumento tanto da produção quanto de preços (Figura 1).

À medida que o setor desenvolve a exigência por produtividade também cresce. Assim, a bovinocultura moderna exige cada vez mais um manejo eficiente dos recursos disponíveis, o que tem impulsionado o desenvolvimento de biotecnologias com intuito de intensificar a produção. 

Figura 1. Evolução mensal do PIB do agronegócio brasileiro de setembro de 2012 a setembro de 2013.

            No que tange a reprodução animal, os avanços proporcionaram aumentar a eficiência da pecuária, aproveitar de forma mais racional as áreas destinadas à bovinocultura e contribuir para o melhoramento genético pelo uso de inseminação artificial (IA) e de maneira mais intensiva com o uso de tecnologia de embriões. Dentre as biotecnologias, a transferência de embriões (TE) proporciona o aumento da descendência de animais geneticamente superiores, promove a intensidade de seleção e reduz significativamente o intervalo entre gerações quando comparada a IA. Ainda, deve-se considerar que, a maioria dos touros utilizados como reprodutores para IA é oriunda de transferência de embriões.

            Segundo dados da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE), no ano de 2000, a TE convencional (embriões produzidos por superovulação de doadoras) foi responsável por 75,4% dos embriões transferidos (38.595 no total) e a fertilização in vitro (FIV) por 24,6% (12.597 embriões). Em 2005, houve a inversão na preferência pelas técnicas e em 2007 a FIV alcançou a marca de 75% na participação total. Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de embriões bovinos oriundos da fertilização in vitro. Esses números foram favorecidos pelo tipo racial predominante no Brasil que, em sua maioria, é composto por animais Bos indicus denominados zebuínos. Tal fato é explicado, pois os zebuínos produzem mais ovócitos que os taurinos por ciclo estral. Isso reflete na maior produção de embriões in vitro e na consequente substituição da produção in vivo. Adicionalmente, a FIV proporciona a utilização do sêmen sexado contribuindo para a disseminação dessa biotécnica.

            A inseminação artificial foi o primeiro passo para acelerar o melhoramento genético e introduzir nos rebanhos características desejáveis. Contudo, a transferência de embriões junto com os avanços no congelamento e o transporte dos mesmos também têm proporcionado maior abrangência e a implantação em propriedades situadas em diferentes regiões e até mesmo a longas distâncias. Assim, podemos considerar que a FIV facilitou o melhoramento genético por meio de embriões e está se estabilizando. Porém, os principais desafios ainda estão em minimizar a oscilação dos resultados, padronizar os meios de produção e torna-la ainda mais acessível de forma sustentável.

(Foto: Alessandra Ambrósio Teixeira)

Alessandra Ambrósio Teixeira

Especialista em Reprodução Ourofino Agronegócio

Tags