Mosca-dos-chifres: como combatê-las?

24 mar 2014

Mosca-dos-chifres: como combatê-las?

Devido a sua capacidade produtiva e vocação dos seus produtores, o Brasil é um pais com grande competitividade no setor de produtos agropecuários, com grande representatividade no cenário econômico mundial. Dentre as principais atividades do agronegócio, a bovinocultura de corte apresenta elevada importância à economia do país (EUCLIDES FILHO e EUCLIDES, 2011). Com o maior rebanho comercial do mundo, contabilizado em aproximadamente 203 milhões de cabeças (ANUALPEC, 2013), manter a sanidade dos animais e trabalhar no sentido preventivo tornou-se primordial para garantir a competitividade do setor. Porém, no decorrer do caminho da produtividade, alguns obstáculos sanitários, como as doenças parasitárias podem aparecer. São doenças que se enquadram naquelas que provocam prejuízos aos produtores, principalmente devido ao estresse provocado pelos parasitos nos animais (LEITE, 2011). Um dos parasitos que mais provocam estresse nos bovinos e chega a provocar prejuízos estimados em 150 milhões de dólares anuais é a Haemotobia irritans, vulgarmente chamada de mosca-dos-chifres (GRISI et al., 2002). Segundo Steelman et al. (1991 apud SILVA, 2002) para cada 100 moscas que parasitam um animal, pode haver a diminuição de 8,1 Kg no ganho de peso por animal durante o período de um ano. Burns et al. (1975 apud SILVA, 2002) relataram que o limiar econômico está situado em 200 moscas/bovino, o que acarreta em perda de 16 Kg de peso vivo/animal/ano. Com relação ao gado de leite, animais altamente infestados podem reduzir a produção de 10 a 20% (VALERIO, 1985). A Haematobia irritans, vulgarmente chamada de mosca-dos-chifres, é um parasito hematófago, que costuma se concentrar nas áreas de difícil defesa para os animais, em que a cabeça e a cauda do animal não alcançam, como região dorsal e do cupim. Este inseto se alimenta mais de 30 vezes ao longo do dia e tem preferência por bovinos de raças europeias, mestiços, de pelagem escura ou com manchas escuras e machos inteiros (BIACHIN e ALVES, 2002). O prejuízo causado pela mosca-dos-chifres não é causado devido à perda de sangue em si, nem à transmissão de enfermidades, como ocorre com carrapatos nos bovinos, mas sim pelo incômodo e irritação causados pelas picadas dolorosas e incessantes nos animais, tendo como consequência a diminuição do tempo gasto para alimentação, ingestão de água e repouso, o que leva à redução no ganho de peso e produção de leite, além de danos ao couro e problemas reprodutivos (BARROS, 2005). A mosca-dos-chifres permanece todo tempo sobre o hospedeiro, mas também pode realizar pequenos voos em grupo e retornar rapidamente. Assim que os animais defecam, as fêmeas abandonam o hospedeiro para depositar seus ovos na massa fecal fresca e logo retornam. Em menos de 24 horas as larvas iniciam seu desenvolvimento e dentro de poucos dias atingem fase de pupa e, posteriormente, a fase adulta. O ciclo de vida, de ovo a adulto é rápido, cerca de 10 a 15 dias, e quanto maior a temperatura, maior a velocidade do ciclo (BRITO et al., 2005; BARROS, 2005).

Ciclo da mosca-dos-chifres (Fonte: Ourofino)

O controle estratégico direciona os tratamentos para os períodos quentes e de chuvas moderadas, que correspondem àqueles em que há grandes infestações.
No Brasil Central isto ocorre nos meses de maio/junho e novembro/dezembro (BARROS, 2005). Há várias soluções da Ourofino para controle deste ectoparasito como:

- Brinco Mosquicida Na MOSCA®: fixação na orelha dos bovinos, permitindo liberação lenta de diazinon. Trocados, em média, a cada 4 meses. Apenas um brinco por animal.

- Colosso FC30 e Colosso Pulverização: para pulverizar os animais, a dose recomendada é de 25 mL do produto para 20 litros de água.

Colosso Pour on: uso no dorso do animal na dosagem de 10 mL para cada 100 Kg de peso corporal. Dose máxima é de 50 ml.

- Cypermil Pour On: para a mosca-dos-chifres a dosagem recomendada é 10 mL para cada 100 Kg de peso vivo.

- Cypermil Plus: diluir uma parte do produto em 400 partes de água, ou seja, 1 litro para 400 litros de água e utilizar de 4 a 5 litros por animal adulto. Além dos parasiticidas, é importante lembrar que se deve fazer a limpeza dos estábulos periodicamente, pois o ciclo da mosca-dos-chifres se desenvolve nas fezes dos animais. Para a desinfecção em geral pode ser utilizado o desinfetante CB-30 TA (10 mL do produto diluído em 30 litros de água) e também é recomendado consultar o médico veterinário a fim de proceder a administração correta dos produtos e corrigir eventuais falhas do manejo.  

Referências

ANUALPEC, 2013. Anuário da Pecuária Brasileira. São Paulo: Informa Economics FNP, 2013. BARROS, A. T. M. Aspectos do controle da mosca-dos-chifres e manejo de resistências. Corumbá: Embrapa Pantanal, 2005. BIANCHIN, I.; ALVES, R. G. O. Mosca-dos-chifres, Haematobia irritans: comportamento e danos em vacas e bezerros Nelores antes da desmama. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 22, n. 3, p. 109-113, julho/setembro, 2002. BRITO, L. G.; BORJA, G. E. M.; OLIVEIRA, M. C. de S.; SILVA NETTO, F. G. Mosca-dos-chifres: aspectos bio-ecológicos, importância econômica, interações parasito-hospedeiro e controle. Porto Velho, Embrapa-CNPAFRO, 2005. 15 p. EUCLIDES FILHO, K. E EUCLIDES, V. P. B. Desenvolvimento recente da pecuária de corte brasileira e suas perspectivas. In: Pires, A.V. Bovinocultura de Corte. 1ed. v.1. Piracicaba: FEALQ, 2011. p.11-38. GRISI, L.; MASSARD, C. L.; MOYA BORJA, G. E.; PEREIRA, J. B. Impacto econômico das principais ectoparasitoses em bovinos no Brasil. A Hora Veterinária, v.125, p.8-10, 2002. LEITE, R. C.; CUNHA, A. P.; BELLO, A. C. P. P.; DOMINGUES, L. N.; BASTIANETTO, E. Controle de ectoparasitos em bovinocultura de corte. In: PIRES, A. V. Bovinocultura de Corte. 1 ed. v. 2. Piracicaba: FEALQ, 2011. p.1171-1196. SILVA, L. V.; DE LA RUE, M. L.; GRAÇA, D. L. Lesões da mosca dos chifres (Haematobia irritans Linnaeus,1758) na pele de bovinos e impacto na indústria do couro. Ciência Rural, Santa Maria, v.32, n.6, p.1039-1043, 2002. VALERIO, J. R. Haematobia irritans L: um novo problema para a bovinocultura no Brasil. Campo Grande, EMBRAPA-CNPGC,1985. 

Raissa Reverete Raineri e Daniela Miyasaka

Departamento Técnico de Saúde Animal Ourofino

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