Manejo da incubação: Aplicação adequada de antimicrobianos

11 jan 2016

Manejo da incubação: Aplicação adequada de antimicrobianos

A indústria avícola mundial cresceu e se modernizou nas últimas décadas, sendo o principal fator desencadeador dessa expansão o aumento populacional e consequentemente, a maior demanda de alimentos. O Brasil se destaca na produção de frangos de corte, alcançando as marcas de maior exportador e terceiro maior produtor. Em 2012 foram exportados 3.918 mil toneladas e com previsão de expansão de 24,9% para 2022 (FIESP, 2013).

O desenvolvimento da avicultura industrial refletiu na intensificação da produção, e com isso as granjas passaram a produzir em alta densidade de alojamento e ainda técnicas foram desenvolvidas visando um maior rendimento, fundamentada no desenvolvimento de linhagens mais precoces ou mais produtivas, na melhoria de manejo, instalações e nutrição (FACTA, 2003).

Antigamente o frango de corte atingia 1,6 kg em 63 dias, após vinte anos, passou a pesar, em média mais de 2 quilos em 40 dias. Na área de postura também houve um grande avanço, as aves que na natureza produzem ovos em uma época do ano, hoje em granjas comerciais a produção é quase que diária, a cada 25 horas aproximadamente (FACTA, 2003). Porém, os fatores que determinam a produtividade, também favorecem a ocorrência de enfermidades, principalmente, o fator alta densidade de alojamento. Por isso, Spinosa et al. (2002) citam que o uso de antimicrobianos é essencial à avicultura moderna, visto a garantia da sanidade e desempenho do lote se utilizado de forma preventiva/estratégica ou terapêutica, conforme o desafio enfrentado.

Frente à esses desafios, o incubatório é uma parte fundamental na atual cadeia de produção avícola, pois sabe-se que durante a incubação dos ovos, e nos primeiros dias de vida dos pintinhos a exposição a patógenos é bastante elevada. Assim, novas tecnologias foram desenvolvidas para proteção contra a penetração e contaminação microbiana (FACTA, 2003). Uma das ferramentas é o  sistema de aplicação de substâncias in ovo, inicialmente para a aplicação da vacina contra a doença de Marek, porém atualmente, outras vacinas bem como outras substâncias são liberadas para aplicação em ovos embrionados (FACTA, 2003).

Dentre as substâncias injetáveis para promover a proteção dos pintinhos, a Ourofino Saúde Animal indica a aplicação do Gentrin Injetável (Gentamicina) in ovo com o propósito de melhorar a qualidade de vida do embrião, diminuir a mortalidade por bactérias contaminantes, melhorar a taxa de eclosão e a qualidade do pintinho recém-nascido.

O Gentrin Injetável é o produto mais concentrado do mercado, com 4,4% de princípio ativo, tratando 20.000 pintinhos por frasco de 100 ml. É um antimicrobiano da classe dos aminoglicosídeos, com ação bactericida rápida, de amplo espectro, com foco em bactérias Gram-negativas e Gram-positivas, sensíveis ao sulfato de gentamicina. Possui excelente ação em Mycoplasma spp., Escherichia coli, Salmonella spp. e Pseudomonas aeruginosa.

O produto deve ser diluído na vacina de Marek e injetado nos ovos durante os últimos estágios do desenvolvimento embrionário, usualmente entre 17° e 18° dias de incubação. Entre as vantagens desse sistema de vacinação sobre o tradicional está a promoção de imunidade precoce, redução do estresse da ave, diminuição nos custos de mão-de-obra e menor contaminação (MACARI, 2002).


Figura 1. Gentrin Injetável, antibiótico da Ourofino Saúde Animal para uma melhor qualidade de vida do embrião, aumento da taxa de eclosão e a qualidade do pintinho recém-nascido.

Para a correta diluição do Gentrin na vacina de Marek, deve-se utilizar vacina e produto dentro do prazo de validade e corretamente armazenados (temperatura e umidade), utilizar sempre diluente tamponado; retirar 25ml de diluente do bag (suficiente para vacinar 5000 pintos) e descartá-lo; acrescentar 25ml de Gentrin Injetável ao bag; aguardar de 30 a 40 minutos para estabilização do pH; dar continuidade com os processos de introdução da vacina no diluente e vacinar normalmente, via subcutânea ou intraovo.

Na administração in ovo é essencial atentarmos ao local em que a vacina será administrada. WILLIAMS, C. J. (2004), determinou que, quando a vacina é administrada no embrião, apresenta 93,9% de proteção vacinal, no líquido amniótico 94,4% de proteção; líquido alantoide 28,3% de proteção vacinal e caso a administração da vacina seja na câmara de ar 0% de proteção, ou seja, não terá eficácia (WILLIAMS, 2004). Importante ressaltar que, segundo Gaggini et al. (2015), a associação de Gentrin ao diluente da vacina não altera o pH e Unidade formadora de proteção (PFU), ou seja, não reduzindo sua eficácia.

O produto também pode ser utilizado em pintos ou perus de um dia de vida, por via subcutânea na dose de 5 a 10mg/kg de peso vivo, atuando na prevenção ou controle da transmissão horizontal dos microrganismos sensíveis ao fármaco.

A suspensão aquosa de gentamicina também é indicada para efetuar a imersão de ovos (egg dipping), quando se deseja erradicar micoplasma e salmonelas de um plantel de aves.

Lembre-se que é muito importante seguir as orientações de bula e consultar o médico veterinário.

 

Referências:

FACTA; 2003. Manejo da incubação por Marcos Macari e Elisabeth Gonzales. Jaboticabal

FIESP; ÍCONE. Outlook Brasil 2023-projeções para o agronegócio, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais. São Paulo, 2013.

GAGGINI, L. ;  PANZARDI, A. ; NUNES, R. ; SILVA, A. ; REZENDE, M. Avaliação comparativa da titulação e pH de vacinas de Marek diluídas com gentamicina* e ceftiofur injetáveis. In: Congresso APA, maio 2015. Anais

MACARI, M.; FURLAN, R.L.; GONZALEZ. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: Universidade Estadual Paulista, 2002. 375p.

SPINOSA, Helenice de S. Et al. Farmacologia Aplicada á Medicina Veterinária, 2 ed, Guanabara Koogan, 2002.

WILLIAMS, C. J. Princípios fundamentais e fatores fisiológicos da injeção in ovo. In: CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 2004. Anais…v.1, p.171-177.

Juliana Guerra Pinheiro

Médica Veterinária, Assistente Técnica Ourofino Saúde Animal

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