21 jun 2010

Inseminação em Tempo Fixo (IATF): uma ferramenta de produção pecuária ambientalmente correta

Diante do novo cenário da pecuária moderna, a palavra de ordem é conciliar produtividade com sustentabilidade, produzir mais, porém com menor consumo dos recursos naturais. O uso de biotécnicas reprodutivas, como a Inseminação Artificial em Tempo Fixo, tornou-se uma ferramenta indispensável e mostrou-se altamente eficiente para melhoria dos índices de produtividade de uma propriedade. Hoje o Brasil se destaca como um dos principais “players” para coordenar esta nova tendência mundial, pois reúne todas as condições necessárias para ser a principal fonte de alimento para o mundo, porém, há muito para ser feito. Atualmente o intervalo entre partos observado no Brasil é de 18 meses. Isso se deve ao fato de os animais apresentarem alta incidência de anestro pós-parto, que é um período no qual o animal não apresenta atividade reprodutiva, muitas vezes influenciada pela baixa qualidade nutricional que o mesmo se encontra, associada à demanda energética do bezerro. Esse intervalo entre partos aumentado faz com que a taxa de desmama (número de bezerros desmamados em relação ao número de matrizes em fase reprodutiva) no Brasil seja de aproximadamente 65% (46,5 milhões de bezerros produzidos e 70 milhões de fêmeas acima de 2 anos; Anualpec, 2009). O objetivo da inseminação em tempo fixo (IATF) é diminuir o intervalo entre partos (o ideal seria de 12 meses) e dessa forma aumentar a eficiência produtiva e reprodutiva da pecuária.  Assim, seria possível aumentar a produção de carne e leite na mesma área que já é destinada para essa finalidade, ou ainda, manter a produção em uma área menor. A IATF consiste numa série de tratamentos farmacológicos que mimetizam a fisiologia das próprias vacas.  Dessa forma, pode-se inferir que os tratamentos para a realização da Inseminação em tempo fixo não alteram a fisiologia reprodutiva das vacas. O efeito se dá pela suplementação do hormônio correto no momento em que ele estaria agindo. Esse tratamento apenas adianta o retorno do animal ao estágio de ciclicidade (atividade reprodutiva) por estimular o animal que está em anestro por falha nutricional. O uso desses produtos, com a finalidade de estimular a ciclicidade e incrementar os índices reprodutivos e produtivos de uma propriedade, tornou-se um forte aliado para pecuária contemporânea, gerando maior produtividade com o mínimo de impactos ao meio ambiente. Estudos demonstram que, com o uso dessa tecnologia, podemos produzir até 10% a mais de bezerros com as mesmas matrizes em um mesmo espaço de pastagens. Para fazer um paralelo com a produção brasileira, poderíamos produzir 4,5milhões de bezerros a mais nos 220 millhões hectares de pastagens, sem a demanda de abertura de novas áreas de pastagem, ou reduzir a área de pastagens em aproximadamente 25 milhões de hectares e produzir os mesmos 45 milhões de bezerros, área essa maior que o estado de Sergipe e muito próxima a área de Alagoas. Assim a IATF, além de agregar valor à produção, pode ser vista como uma ferramenta de melhor utilização da terra e consequente redução da demanda por terra para produção agropecuária. Por José Ricardo Maio, Médico Veterinário e Diretor Comercial da Ourofino Saiba mais sobre a Ourofino: www.ourofino.com

None

None