10 abr 2012

Importância da capacitação profissional para alcançar o sucesso na IA/IATF.

A pecuária brasileira ocupa hoje uma posição de destaque na economia do país. Atualmente, o Brasil é o primeiro exportador de carne in natura, sendo seguido pela Austrália e Estados Unidos (ANUALPEC, 2011). Segundo análises da CNA, o PIB da pecuária cresceu 21% no ano de 2011, em relação a 2010. No entanto, a pecuária brasileira ainda apresenta uma baixa eficiência reprodutiva, ficando próximo a 65%, ou seja, para cada 100 fêmeas em idade reprodutiva, nascem por ano  aproximadamente 65 bezerros (0,65 bezerros/vaca/ano; ANUALPEC, 2011). Através da Inseminação Artificial (IA) convencional, é possível promover o melhoramento genético e aumentar a produtividade dos rebanhos, uma vez que possibilita usar sêmen de touros melhoradores. Atualmente, muitos países inseminam quase a totalidade de seus rebanhos bovinos. Calcula-se que mais de 106 milhões de fêmeas sejam anualmente inseminadas em todo o mundo (Chupin & Thibier, 1995). No entanto, no Brasil, apesar de a venda de sêmen ter crescido 50% nos últimos 10 anos, estima-se que tenhamos pouco mais de 9,4 milhões de vacas inseminadas, representando em torno de 13% do total do rebanho (ANUALPEC, 2011). Estes dados nos mostram que ainda existe a necessidade de se investir em biotecnologias que visam eficiência reprodutiva e melhoramento genético a fim de promover o crescimento da pecuária nacional. Com o advento da IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) tornou-se possível obter melhoramento genético associado à eficiência reprodutiva. Mas, o sucesso da técnica depende de um controle preciso do crescimento folicular (Baruselli et al., 2006) e da disponibilidade de mão de obra qualificada para a realização das inseminações (Russi et al., 2009). De acordo com Russi et al. (2009), a falta de pessoas capacitadas é um dos fatores limitantes para a expansão da IA no Brasil. Além disso, os autores destacaram que um manejo inadequado também pode acarretar resultados indesejados. Dobson e Smith (2000) mostraram que um manejo aversivo, que gera estresse, pode alterar a resposta aos tratamentos recebidos durante os protocolos de IATF e até mesmo resultar em perdas embrionárias. É sabido que o inseminador apresenta um papel fundamental na eficiência da IA/IATF. Imperfeições na manipulação do sêmen e/ou na execução da técnica são geralmente apontados como fatores que comprometem os resultados de prenhez. Dentre os fatores que interferem no desempenho dos inseminadores, Russi et al. (2009) destacaram os seguintes: estado emocional e personalidade do inseminador. Foi relatado que o estado emocional do inseminador influenciou a taxa de retorno ao cio após as inseminações. Os indivíduos com menos preocupações e mais tranqüilos obtêm os melhores resultados. Além disso, também é preciso considerar a confiança que o inseminador tem no sêmen que está utilizado, o comprometimento que o mesmo possui com a fazenda, o conhecimento e a confiança na técnica de IA/IATF e a possibilidade de participar de treinamentos e reciclagens. Um estudo desenvolvido por Fernandes Jr. (2001) mostrou que as variáveis habilidade, curso de IA e reciclagens geram diferenças significativas entre os inseminadores, medidas pela taxa de prenhez. Tal estudo reforça a necessidade de revisar todo o processo de IA periodicamente, a fim de aumentar a habilidade e a autoconfiança do inseminador. Outra consideração importante feita por esse mesmo autor é em relação ao comprometimento afetivo com o trabalho. Inseminadores com maior comprometimento afetivo obtiveram melhores taxas de gestação (85%) que aqueles que apresentaram comprometimento apenas por razões econômicas (68%, P<0,05). Outro fator que pode afetar os resultados e que deve ser sempre levado em consideração é o cansaço do inseminador. Dados revisados por Russi et al. (2009) mostraram que algumas manifestações indicativas de cansaço ocorrem antes mesmo de o inseminador solicitar sua substituição, podendo resultar em queda no rendimento do profissional. Reforçando a importância de realizar o treinamento do maior número possível de pessoas dentro das propriedades que realizam IA/IATF. Adicionalmente, foi observado que conhecer e acreditar na técnica com a qual se trabalha também pode ter influência positiva nos resultados. Os inseminadores que conheciam/acreditavam na técnica de IATF obtiveram melhores resultados do que os que não acreditavam (40% vs 36% de prenhez), podendo comprometer os resultados dos programas de IA (Russi, 2008). Frente a isso, torna-se cada vez mais importante o treinamento/reciclagem dos inseminadores e a disseminação da técnica de IA/IATF (Russi et al., 2009). Pois além de aumentar a habilidade dos funcionários, ambos são de extrema importância para aumentar a confiança e a auto-estima dos mesmos. Atitudes que valorizam a equipe envolvida podem resultar em melhoras significativas dentro da propriedade, principalmente, quando se trata de IA/IATF. Referências Anuário da Pecuária Brasileira (ANUALPEC), 2011. Baruselli PS, Reis EL, Marques MO, Nasser LF, Bo GA. The use of hormonal treatments to improve reproductive performance of anestrous beef cattle in tropical climates. Animal Reproduction Science, v.82-83, p.479-486, 2004. Chupin, D.; Thibier, M. Survey of the present status of the use of artificial insemination in developed countries. World Animal Review, v.82, p.58-68,  1995. CNA http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/giro-do-boi/cna-faturamento-da-pecuaria-cresceu-21-em-2011-para-r1183-bi-77565/ Acesso em: 02 de fevereiro de 2012. Fernandes Jr. JA. Inseminação artificial em gado de corte: impacto da equipe de inseminadores nos resultados obtidos. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal, 87f, 2001. Russi, L.S.; Costa e Silva, E.V.; Zúccari, C.E.S. Importância da capacitação de recursos humanos em programas de inseminação artificial. Revista Brasileira de Reprodução Animal. v.33, p. 20-25, 2009. Russi, LS. Recursos humanos na inseminação artificial em bovinos de corte. Dissertação de Mestrado (Mestrado em Ciência Animal)-Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Campo Grande, 74f, 2008.

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