14 mai 2013

Diarreia em bezerros

A diarreia é considerada uma das principais causas de perdas de bezerros na bovinocultura brasileira, de alta morbidade e mortalidade considerável em bezerros neonatos, as diarreias merecem a atenção especial do produtor e técnicos, uma vez que pequenos detalhes podem culminar em grandes prejuízos econômicos e sanitários ao rebanho. Nas primeiras semanas de vida, os bezerros necessitam de maiores cuidados e proteção, devido a sua elevada susceptibilidade às infecções, por este fato a prevenção e o diagnóstico precoce são de extrema importância. Em todo o sistema de criação, a preocupação com a higiene e medidas profiláticas são de crucial importância. A limpeza diária juntamente, adequação de instalações, incidência de sol e ventilação são pontos que não podem ser negligenciados. O colostro é outro fator fundamental e determinante para a manutenção da sanidade dos bezerros, evitando doenças e permitindo o melhor desenvolvimento dos animais; este é um alimento insubstituível, pois é rico em imunoglobulinas que são fundamentais para a saúde do recém-nascido. As diarreias neonatais têm causas multifatoriais, como: ambiental, nutricional, infeccioso e verminótico.


Principais causas das diarreias em bezerros.

 

As bactérias estão entre os principais agentes causadores de diarreias em bezerros recém-nascidos. A Escherichia coli causa a colibacilose; a Salmonella spp, conhecida por “paratifo” dos bezerros e a enterotoxemia hemorrágica, causada por Clostridium perfringens tipo C (diarreia hemorrágica). Essas diarreias causam grandes perdas econômicas em rebanhos devido ao baixo desenvolvimento dos animais.   Dentre as diarreias virais, o vírus mais comumente encontrado é o rotavírus, com casos relatados e diagnosticados em vários estados do Brasil.   As diarreias causadas por protozoários, como a coccidiose ou eimeriose (Eimeria sp), é conhecida como “curso negro”, geralmente afeta bezerros até os seis meses de idade. As fezes apresentam-se líquidas e escuras, com muco, sangue e com odor fétido.   Condições em que a higiene seja prejudicada, como alta densidade de animais, convívio de animais de diferentes idades, umidade excessiva, presença de contaminantes são fatores que favorecem a presença e proliferação de microrganismos patogênicos e devem ser levados em consideração para o controle desta doença.   Para tratar o bezerro com diarreia em primeiro lugar deve-se ficar atento à reposição de líquidos e eletrólitos, visando à correção da desidratação, da acidose e do desequilíbrio eletrolítico. A terapia antimicrobiana deve ser feita com medicamentos de amplo espectro de ação, como por exemplo, a Doxiciclina associada ao Benzetimide (Corta Curso, na dosagem de 1mL para cada 10 Kg de peso vivo, por via intramuscular, em dose única). Biobac (probiótico, que ajuda a repor a microbiota intestinal, protege o trato gastrointestinal, promove melhor aproveitamento dos nutrientes contidos no alimento).   Para o controle e tratamento da diarreia causada por coccídeos (Eimeria sp), estudos demonstram a eficácia do Toltrazuril (Isocox Pig doser) na dosagem de 15 mg/Kg de peso vivo, via oral, em dose única. Ainda as sulfas e seus derivados são produtos que assim como entre outros medicamentos tem eficácia no controle desta doença.   Nos casos de vírus, como o rotavírus e coronavírus, o tratamento mais indicado é o sintomático com a administração de soros (Fortemil), antitérmicos (Finador) e probióticos (Biobac). Destaca-se ainda que em casos de surtos, a necessidade de vacinação dos animais. Em casos de infecções secundárias, recomenda-se a utilização de terapia antimicrobiana com sulfametoxazol associado ao trimetoprim (Trissulfin).   Em situações onde a diarreia é causada pela presença de vermes, recomenda-se fazer o exame de OPG (ovos por grama de fezes) para avaliar o grau de infecção. O tratamento deve ser feito com anti-helmíntico de amplo espectro de ação, como o Ricobendazole 10 ou Ricobendazole Oral, à base de sulfóxido de albendazole, vermífugo este que combate ovos, larvas e vermes adultos.   Destaca-se que a orientação de um médico veterinário é sempre muito importante e proveitosa para a manutenção da sanidade do rebanho. A higiene, manejo e sanidade da propriedade são fatores importantes para a prevenção das diarreias neonatais, evitando assim os sérios prejuízos ao produtor.      

 

Referências  

ADAMS, H. R. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. 8ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 834-836.  

OLIVEIRA, M. C. de S. Cuidados com bezerros recém-nascidos em rebanhos leiteiros, Circular Técnica 68, Embrapa Pecuária Sudeste; São Carlos - SP, 2012.  

RADOSTITS, O.M.; BLOOD D.C, Clínica Veterinária. 7ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.521-541.  

SPINOSA, H. S; GORNIAK, S. L.; BERNARDI, M. M. Farmacologia aplicada a Medicina Veterinária. 4ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 552-554 

Marina Rodrigues Ferreira - UNIUBE

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