Desafios da produção leiteira

02 jun 2014

Desafios da produção leiteira

O leite é um dos alimentos de maior importância para o homem e o mercado leiteiro é um setor de grande impacto no agronegócio. A produção no Brasil deve aumentar 5% em 2014, conforme projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Caso seja confirmado o aumento, a produção deve chegar a 36,75 bilhões de litros em um ano. Em 2013, a produção leiteira foi de 35 bilhões de litros, sendo 35% a mais que os 26 bilhões contabilizados em 2007. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em fevereiro de 2014 o Brasil exportou US$ 22,2 milhões em produtos lácteos e é um importante componente para o equilíbrio da balança comercial brasileira.

Com a criação do Plano Nacional da Qualidade do Leite (PNQL), em 1996, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e com apoio de órgãos de ensino e pesquisa, houve muitos debates e discussões para implantar novos regulamentos técnicos e critérios para produção de leite. Este foi o ponto de partida de uma série de normativas e portarias que viria a culminar com a criação do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL) pela Instrução Normativa (IN) 37.

Com a publicação da IN 51 definiu-se parâmetros técnicos sobre a qualidade do leite (regulamentos técnicos de produção, identidade e qualidade dos leites tipos A, B e C, do Leite Pasteurizado e do Leite Cru Refrigerado e o regulamento técnico da coleta de leite cru refrigerado e seu transporte a granel).

Antes da criação e da publicação da IN 51 não existiam parâmetros para contagem de células somáticas e de contagem bacteriana total para o leite C, somente aos leites A e B – veja em www.agricultura.gov.br.

A CCS deve ser alcançada com o tempo, tentando baixar cada vez mais as concentrações. Outros fatores a serem corrigidos são assistência, capacitação técnica e divulgação de informações de modo mais abrangente, que deve chegar a todos os produtores, oferecendo conhecimento com clareza, não só sobre as mudanças, mas também o modo correto de se adaptar as exigências da IN 51.

Cuidados

O produtor deve ter o conhecimento de que a quantidade de microorganismos presentes no leite varia de acordo com a contaminação inicial e com o tempo e a temperatura de armazenamento, podendo variar em decorrência de processos inflamatórios do úbere ou de enfermidades no rebanho.

Para a obtenção da produção de leite com qualidade, higienização no processo de obtenção, resfriamento do leite (4°C) e controle da mastite são de fundamental importância. Na higienização destaca-se a limpeza das mãos dos ordenhadores, dos equipamentos e do úbere da vaca, com água potável. O ordenhador deve estar com roupas limpas, ser organizado, manter uma rotina e seguir processos de higienização.

A sala de ordenha deve ser um local sem agitação, limpo e fresco. Os equipamentos devem ser lavados com água morna de 70°a 75°C e detergente alcalino clorado, na dosagem indicado pelo fabricante. Depois, é preciso passar detergente ácido diluído em água à 45ºC. A sala de ordenha deve fornecer conforto térmico às vacas. Materiais como latões, caneca de fundo preto, papel toalha, frascos para imersão dos tetos, escova para limpeza do material, detergente e soluções desinfetantes devem sempre estar disponíveis para uso. Para desinfecção dos equipamentos, materiais e até no pré e pós-dipping pode ser utilizada uma solução à base de cloreto de alquil dimetil benzil amônio (desinfetante) + poliexietilenonilfenileter (tensoativo)1.

Em relação ao resfriamento do leite, o tanque deve ficar próximo ao local da ordenha, com fácil acesso para o veículo coletor. O local deve ser coberto, pavimentado, com energia elétrica e água de boa qualidade. Deve haver um bom isolante térmico a fim de evitar o aquecimento do leite. A instalação do tanque deve ser feita perfeitamente em nível para facilitar o escoamento do leite e da água de lavagem aproveitando o desnível que já existe no fundo do tanque. A potência do resfriador deve ser suficiente para permitir rápido abaixamento da temperatura do leite sem que tenha alterações em sua qualidade.

A mastite

A mastite bovina é a inflamação da glândula mamária. As principais causas são bactérias, fungos, leveduras e algas. A mastite pode ser clínica ou subclínica, podendo ser detectada pelo exame da caneca de fundo escuro ou caneca telada, em que é identificada a presença de grumos. Já a forma subclínica, não apresenta sinais clínicos e por isso é assim chamada. Essa pode facilmente ser detectada por meio do California Mastitis Testis (CMT). Outros métodos, como a análise da CCS (contagem de células somáticas), cultura bacteriológica e condutividade elétrica são também muito eficazes para a identificação destas mastites. Pode ser diferenciada pelo agente causador na forma contagiosa ou ambiental; sendo a contagiosa mais comum durante toda lactação por Staphycoccus aureus, Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, Streptococcus uberis e ambiental, que ocorre principalmente no pré-parto e início da lactação, causada por Escherichia coli, Klebsiella sp, Enterobacter sp, Streptococcus dysgalactiae.

Para o tratamento da vaca em lactação com mastite recomenda-se a utilização de um antibiótico eficaz e seguro à base de Gentamicina associado a um mucolítico (bromexina)2 ou Ciprofloxacina3, administrado pela via intramamária ou de acordo com a orientação do médico veterinário. Na secagem é recomendada a utilização de gentamicina4, em alta concentração.

Diante dos dados relatados, concluímos que ainda há muito a fazer até a adequação da IN 51. Como o agronegócio brasileiro é persistente e, apesar dos obstáculos, a participação do mercado é crescente. Como vantagens brasileiras, temos terras abundantes, potencial de produção, climas favoráveis, imensa disponibilidade de água doce, energia renovável e capacidade empresarial. Tudo isso faz do agronegócio um importante componente da balança comercial que permite ao Brasil comemorar o superávit primário.

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1CB-30 T.A., 2Mastifin, 3 Ciprolac, 4Mastifin Vaca Seca – Ourofino Saúde Animal Ltda.

Daniela Miyasaka S. Cassol

Médica Veterinária e Gerente Técnica Saúde Animal - Ourofino

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