Compreendendo o edema de úbere

02 out 2017

Compreendendo o edema de úbere

A intensificação na seleção genética visando à capacidade produtiva máxima pode acarretar reflexos negativos para as fêmeas leiteiras. A integridade sanitária é um dos principais requisitos necessários para que esses animais possam exibir seu potencial. Nesse contexto, é importante destacar enfermidades de alta incidência nos rebanhos como o edema de úbere, que é capaz de desencadear efeitos deletérios nas fêmeas. Dessa forma, é imprescindível compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento dessa afecção para trabalhar em novas estratégias para minimizar esse problema.

O edema de úbere é uma desordem caracterizada por acúmulo excessivo de fluído nos espaços intercelulares do tecido da glândula mamária que ocorre no período do periparto. A alta vascularização natural da glândula mamária bovina torna esse tecido mais predisposto ao desenvolvimento de edema localizado. Além disso, a glândula mamária passa por extenso desenvolvimento durante a gestação para se preparar para lactação, o que contribui para o desenvolvimento do edema.

A etiologia do edema de úbere ainda não é clara na literatura, mas acredita-se que esteja associado à redução do fluxo sanguíneo mamário e aumento da pressão intravenosa. Existem fatores como a capacidade produtiva, nutrição, idade dos animais (novilhas são mais acometidas), estresse oxidativo na glândula mamária que são predisponentes para o surgimento do edema de úbere. Ainda, estudos recentes mostraram que hipoproteinemia (baixa ingestão de matéria seca) e alterações transitórias na função hepática estão associadas ao edema de úbere em novilhas.

O edema de úbere pode ter início de duas a três semanas antes e/ou após o parto. Os principais sinais observados são: edema localizado no úbere que pode se estender às porções ventrais, redução na ingestão de alimentos e na produção de leite, desconforto, dificuldade de locomoção, dor e lesões por contato. Em muitos casos o edema acaba reduzindo gradativamente com início da ordenha, mas esse distúrbio pode se tornar severo e persistir durante meses. Como consequência, ocorrem complicações como dificuldade de manejo de ordenha podendo desencadear mastite, maior susceptibilidade a traumas e ruptura do ligamento suspensório (desvalorização permanente do animal).

Estudos recentes realizados em parceria com a UNESP de Jaboticabal avaliaram a eficácia do Maxicam 2% para tratamento do edema de úbere em vacas de alta produção. Foram utilizadas 34 fêmeas da raça Holandesa que apresentavam edema de úbere no momento do parto, das quais 17 receberam duas aplicações de Maxicam 2% (no momento do parto e 24 horas após) e 17 não receberam nenhum tratamento (grupo controle). A partir do primeiro dia após o tratamento, os animais que receberam Maxicam 2% já apresentam redução evidente no edema de úbere. Pode-se concluir com esse estudo que a administração intramuscular de duas doses de 0,5 mg/kg de Maxicam 2% pode acelerar a regressão do edema de úbere. Para minimizar os prejuízos associados pelo edema de úbere, a Ourofino Saúde Animal oferece o Maxicam 2%. Esse produto tem como princípio ativo o meloxicam que possui potente ação anti-inflamatória e é altamente seguro, podendo ser utilizado no periparto. Maxicam 2% é o único anti-inflamatório para bovinos à base de meloxicam do mercado brasileiro.

Bruna Martins Guerreiro, especialista técnico em Reprodução Animal

Tags