Acidose ruminal: grande problema do gado leiteiro

27 jan 2014

Acidose ruminal: grande problema do gado leiteiro

Normalmente a alimentação de bovinos envolve pasto, sal e às vezes algum concentrado. Entretanto, nos rebanhos leiteiros a ração é ingrediente fundamental para estes animais. Tal prática torna-se comum para otimizar a produção de leite, ganho de peso dos animais e consequente aumento da lucratividade pecuária. À medida que se intensifica o manejo nutricional, surgem algumas intercorrências metabólicas que até então eram raridade, como a acidose ruminal. Com ela aparecem quadros de ruminites, abscessos hepáticos e outras enfermidades correlacionadas, como as broncopneumonias e laminite. A acidose ruminal é uma doença decorrente da ingestão excessiva de alimentos hiperglucídios (carboidratos), que ocasiona o aumento na produção de ácidos graxos voláteis e ácido láctico, sendo ambos os principais para o desencadeamento do quadro digestivo. Esta mudança acontece pela alta ingestão de milho, trigo, sorgo, ração e arroz (grãos), bem como algumas frutas. Estima-se que 10% a 15% dos animais em confinamento apresentam essa doença, cuja morbidade pode atingir entre 1% a 50% e a mortalidade, quando não tratados a tempo pode chegar até 90% dos casos e, mesmo os animais tratados, cerca de 40% pode morrer decorrente deste mal digestivo. A acidose nada mais é que a produção excessiva de ácidos (AGVs e ácido lático) no rúmen. O maior problema dessa acidificação é a mortalidade dos protozoários e parte das bactérias, os quais são essenciais para o equilíbrio da microbiota (flora) ruminal (VECHIATO et al, 2008). Animais doentes deixam de comer por um ou dois dias, associado à presença de diarreia osmótica constante nos quadros leve. Porém, nos casos mais graves ocorre também taquicardia, desidratação severa, além de depressão do estado geral, o que demanda um tratamento mais intenso para a recuperação completa do animal. O tratamento consiste na reposição da microbiota ruminal associado a uma intensa fluidoterapia, que muitas vezes é extremamente difícil de ser realizado nas fazendas uma vez que a doença geralmente acomete muitos animais simultaneamente. A forma mais eficiente de controle é por meio da prevenção. O uso de probióticos a base de cepas Enterococcus faecium e Saccharomyces cerevisiae são uma boa opção por terem ação direta no rúmen. Os mesmos permitem a formação de uma “barreira de proteção” nas paredes, agindo por competição com bactérias lactilíticas, consumindo grande proporção de ácido lático, reduzindo assim quadros de acidose e contribuindo para o consequente aumento do desempenho e produção dos animais. Tais cepas e benefícios são encontrados no produto Probios Precise, por exemplo. Com fornecimento diário de 2 gramas/animal/dia, o ambiente ruminal torna-se saudável contra casos de acidose que possam surgir, e os benefícios podem ser vistos com apenas sete dias de uso contínuo. Os reflexos são vistos no tanque, pois ocorre um aumento da produção e melhora da qualidade de sólidos no leite, ou seja, tais vantagens são correlacionadas com o melhor custo/benefício e lucratividade. A doença digestiva existe, o tratamento é complicado, mas a prevenção é certa. Desde que a prevenção seja feita também com uso de bons probióticos.   Referências Acidose láctica ruminal: um risco nos confinamentos.Disponível em: <http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/dicas-de-sucesso/acidose-lactica-ruminal-um-risco-nos-confinamentos-44107/>. Acesso em: 16 jul. 2013. MARUTA, C. A. e ORTOLANI, E. L.Susceptibilidade de bovinos das raças Jersey e Gir à acidose láctica ruminal: I – Variáveis ruminais e fecais. Ciência Rural, Santa Maria, v.32, n.1, p.55-59, 2002. VECHIATO, T. A. F. et al. Estudo retrospectivo de abscessos hepáticos em bovinos abatidos em um frigorífico paulista.2009. Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci., São Paulo, v. 48, n. 5, p. 384-391, 2011. VECHIATO, T.A.F.; SUCUPIRA, M.C.A.; ORTOLANI, E.L. Acidose Láctica Ruminal nos bovinos. Revista Ruminantes Revista de Medicina Veterinária, v.3, p.6–8.   Por Mariane Camila Campi Cansian.

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